quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Galpão


Galpão velho chamuscado 
No fogão de gerações 
Onde as velhas tradições 
Desentonadas e ariscas 
Se renovam nas faíscas 
Quando se bate os tições! 


Trazes ao meu pensamento 
O que dantes existia 
Nesta Província bravia 
Gaúcha e pevilegiada 
Na primitiva alvorada 
Do Rio Grande que nascia! 


Velho abrigo Rio-grandense 
Plantado na pampa nua 
Onde a carne meio crua 
Irmanou com Portugal 
A velha Espanha imortal 
E o nobre sangue charrua! 


Foi bem ali junto ao mate 
Nessa rude comunhão 
Quwe definiu-se o padrão 
Do gaúcho flor do pago 
Caudilho monarca e vago 
Cheio de amor ao rincão! 


Na formação do Rio Grande 
Nada influiu como tu 
E até o gaúcho mais cru 
Como berço considera 
Este abrigo que venera 
Desde Sepé Tiaraju! 


Por isso ao te ver deserto 
Local de duendes e assombros. 
Eu sinto sobre os meus ombros 
Na escuridão que se alarga, 
O peso da dor amarga 
Que brota dos teus escombros! 


Só te resta a luz escassa 
Dum campeiro entardecer 
E me parece ao te ver, 
A luz desse clarão vago 
Que és a alma do meu pago 
Que está por se desprender!

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