quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Rodada


Acordando quero-queros 
me vim querências deixando, 
na curva funda da estrada 
por onde fui mergulhando, 
ficou apenas o adeus 
do pala branco abanando. 


Pensei que trazia muito, 
mas muito era o que deixava, 
- rancho, gente, mato e rio, 
o pago que me cercava 
e a alma inteira da terra 
que eu sem querer carregava. 


A sombra, irmã das ramadas, 
dos arvoredos, os ruídos, 
rumores do pampa largo, 
onde eduquei meus sentidos 
a até dos cuscos das casas 
trago o latir nos ouvidos. 


E aqui, num mundo distinto, 
onde a cabresto na espera 
vim afogar dia a dia 
meu sonho feito tapera, 
ainda encontro por vezes 
o jeito antigo que eu era. 


Tentei, no lombo dos tempos, 
um mundo para domar, 
mas a xucresa das horas 
fez o meu sonho rodar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário